
Vice-governador do Tocantins e pré-candidato ao Palácio Araguaia pelo PSD, Laurez Moreira afirma que a aliança com o PT para as eleições de 2026 foi facilitada pela relação construída durante os mandatos como prefeito de Gurupi. Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, ele também minimiza a ausência do senador Irajá Abreu (PSD) dos principais eventos da pré-campanha, atribui a movimentação do aliado à dedicação à própria campanha ao Senado e diz que a relação entre os dois permanece “tranquila”.
Ao longo da entrevista, Laurez faz um balanço dos três meses em que comandou o Governo do Tocantins por decisão judicial, afirma que o eleitor avaliará sua trajetória administrativa, especialmente a gestão em Gurupi, e aponta saúde, corrupção e segurança pública como os principais desafios do estado. O pré-candidato ainda diz que não trabalha com a possibilidade de ficar fora da fase decisiva da disputa e afirma ter convicção de que estará no segundo turno das eleições de 2026.
Como foi construída a aliança entre PSD e PT no Tocantins?
Na verdade, eu sempre tive um bom relacionamento com todas as forças políticas do estado.
Eu nunca tive problema com ninguém. Eu sou um homem de centro, sou um homem que conversa com todo mundo. Quando fui prefeito de Gurupi, tive boas parcerias com o PT. Isso possibilitou construir 2.549 casas e mudar a realidade da saúde e da educação do município. Construí, reformei todas as unidades básicas de saúde, coloquei a UPA para funcionar, construí oito UBSs, dois CAPS, um centro de especialidade oncológica, a primeira Clínica da Mulher e várias outras obras importantes. Essa parceria com o governo Lula facilitou essa composição.
Como o senhor recebeu a indicação de Paulo Mourão para disputar o Senado na chapa?
Na questão do Paulo, isso foi uma escolha do PT. O PT escolheu ele para ser senador e é natural que, se você vai fazer uma composição, a pessoa tenha que estar presente.
O senador Irajá Abreu tem aparecido pouco nos eventos da pré-campanha. O que explica essa ausência?
A campanha exige muito tempo. Ele está cuidando da campanha, andando, correndo.
Isso é natural, não tem nada a ver com o processo político.
E como está a relação entre o senhor e Irajá?
De minha parte, tranquila. Não tenho problema com ninguém. Eu sou uma pessoa que toca bem com todo mundo. Comigo não tem estresse. Estou aí para ajudar no que puder.

O que aqueles três meses à frente do Governo do Tocantins permitiram ao senhor enxergar sobre a máquina pública?
Três meses é o tempo de uma transição de um governo para outro. O Brasil prevê isso quando você é eleito em outubro e toma posse em janeiro. Nesse período, quem está governando prepara a transição e quem vai entrar monta uma equipe para conhecer o governo e planejar. Comigo foi diferente. Eu tive que assumir imediatamente, respeitando uma decisão judicial. Mesmo assim, fizemos muito. Prorrogamos o concurso da Educação, fizemos o plano de cargos e salários, cortamos despesas desnecessárias, como a aeronave que gerava um gasto de R$ 20 milhões, reduzimos o custeio do Estado de 32% para 25%, colocamos obras para andar, inauguramos ponte, determinamos a retomada de projetos importantes, como a ampliação do Hospital de Gurupi.
Infelizmente, o período foi curto e não deu para fazer tudo o que gostaríamos.
O senhor acredita que o eleitor vai avaliá-lo mais por esses três meses no governo ou pelo histórico administrativo em Gurupi?
Claro que três meses não dão para fazer nada em termos de governo. Ninguém é avaliado por três meses de gestão. Ainda mais naquela situação, sem apoio da Assembleia e com o governador tendo controle de tudo.
Tenho certeza de que o povo vai me avaliar pelo meu histórico, pelo bom gestor que mostrei ser em Gurupi. É isso que vai pesar.
O que o senhor mais tem ouvido da população durante a pré-campanha?
Laurez Moreira: Hoje, o grande problema do Tocantins é a saúde. Em segundo lugar, a corrupção. Em terceiro, a segurança pública. Foi por isso que convidei o coronel para ser meu vice-governador, para cuidar principalmente da segurança pública e do combate à corrupção. Estou demonstrando que não vou permitir corrupção no meu governo. Trouxe alguém para fiscalizar o próprio governo, para não deixar acontecer coisa errada, alguém da nossa gloriosa Polícia Militar que tem um bom trabalho prestado ao Estado.
Sua chapa majoritária pode não ter nenhuma mulher. Como pretende dialogar com o eleitorado feminino?
A minha história responde isso. Quando fui prefeito de Gurupi, tive mais mulheres como secretárias do que homens. Fui o primeiro prefeito a criar a Clínica da Mulher. Criei a Secretaria da Mulher e várias políticas voltadas para elas. O PT também tem programas que agradam muito às mulheres, como os programas habitacionais e sociais.
O que importa não é apenas ter uma mulher na chapa. O importante é ter políticas públicas voltadas para as mulheres.
O senhor chegou a procurar uma mulher para a vaga de vice?
Se eu encontrasse alguém com perfil para cuidar da segurança pública e do combate à corrupção, teria colocado uma mulher. Procurei, mas infelizmente não encontrei o nome ideal para isso.
O senhor acredita que esta eleição será decidida em segundo turno?
Não tenho dúvida.
Vai ser uma eleição de segundo turno e eu estarei lá disputando com um dos candidatos que chegar.
E se isso não acontecer?
Não trabalho com essa possibilidade.
Sou um homem vitorioso. Nasci no interior, com muita dificuldade. Vim de uma cidade onde não tinha ninguém com curso superior. Sonhei em fazer Direito e consegui. Sonhei em ter meu escritório e consegui. Sonhei em ser deputado estadual, deputado federal, vice-governador e consegui. Sou um homem de vitória e tenho certeza de que ela faz parte da minha trajetória, porque Deus protege os homens bem-intencionados.
Na sua avaliação, o que diferencia a sua candidatura das demais?
Vou falar de mim. Sou uma pessoa que faz política por vocação. Não sou patrimonialista. O que tenho herdei do meu pai. Nunca ganhei dinheiro com política e não acredito em quem faz patrimônio por meio da política. A atividade política é cara e a remuneração não cobre os custos que ela tem. Então, quando alguém faz patrimônio através da política, isso, para mim, cheira mal.
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