O Laurez Moreira resolveu subir o tom em Lagoa da Confusão, mas acabou tropeçando no próprio histórico aquele que, curiosamente, ele prefere não mencionar quando discursa como se fosse um crítico externo do governo.
No palanque, o vice-governador posa de fiscal de obras, cobra rodovia, questiona prioridades e distribui indiretas sobre gastos públicos. Tudo muito bonito no discurso. O problema é que, quando teve a caneta na mão ainda que por pouco tempo, como governador interino o resultado foi um roteiro bem diferente do que agora tenta vender.
Em cerca de três meses à frente do Estado, o que se viu foi um Tocantins praticamente em marcha lenta. Obras travadas, decisões emperradas e uma gestão que mais pareceu um freio de mão puxado do que qualquer tentativa de avanço. Para quem agora cobra eficiência, faltou, no mínimo, coerência com o próprio desempenho recente.
E não parou por aí. A passagem relâmpago também ficou marcada por demissões em massa atingindo setores estratégicos e por decisões questionáveis, como a contratação de empréstimos que, para muitos, não tinham qualquer urgência real. Curioso: hoje critica gastos, ontem ampliava compromissos financeiros.
No discurso, Laurez fala como se estivesse chegando agora, como se não tivesse feito parte da engrenagem que hoje tenta desgastar. Mas a memória política é curta não inexistente.
A crítica ao governo atual, ainda que sem citar diretamente Wanderlei Barbosa, soa menos como posicionamento e mais como tentativa de reconstrução de imagem. Um reposicionamento apressado, que ignora o próprio passado recente.
E talvez o ponto mais curioso seja a convicção eleitoral. Laurez parece acreditar que conseguirá viabilizar uma candidatura sólida praticamente sozinho ou, no máximo, cercado por um grupo reduzido de aliados. No ritmo que as coisas caminham, há quem já veja esse projeto político seguindo para o mesmo destino: isolamento e desgaste.
No fim das contas, fica a pergunta que ecoa nos bastidores: como alguém que não conseguiu entregar resultados quando teve a oportunidade pretende convencer o eleitor de que agora faria diferente?
Porque discurso, convenhamos, não falta. O que faltou nos três meses de Laurez Moreira foi gestão.