
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) de suspender, em caráter liminar, a divulgação da pesquisa eleitoral registrada sob o nº TO-01785/2026, que apontava a pré-candidata Dorinha com 12 pontos de vantagem na disputa pelo Governo do Tocantins, reforça um dos pilares do processo democrático: levantamentos de intenção de voto devem obedecer rigorosamente às normas da Justiça Eleitoral para assegurar transparência, confiabilidade e segurança ao eleitor.
Na decisão, o magistrado identificou indícios de inconsistências metodológicas capazes de comprometer a fiscalização e a credibilidade do levantamento. Entre os pontos destacados estão a ausência de informações sobre o tratamento das recusas e das ligações não atendidas durante a coleta telefônica, além da falta de esclarecimentos sobre os critérios utilizados para definir a composição da amostra quanto ao perfil econômico dos entrevistados.
Ao conceder a liminar, o juiz ressaltou que a divulgação de pesquisas sem a devida transparência metodológica pode induzir o eleitor a erro e interferir no equilíbrio da disputa eleitoral, especialmente quando se trata de um levantamento que indicava vantagem expressiva de um dos pré-candidatos. Segundo a decisão, a manutenção da divulgação poderia produzir efeitos de difícil reparação antes do julgamento definitivo da ação. Diante disso, foi determinada a suspensão imediata da pesquisa, com fixação de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
A medida também representa um alerta às empresas responsáveis por pesquisas eleitorais. O cumprimento das exigências legais não é mera formalidade, mas uma garantia de que os dados apresentados à sociedade sejam produzidos com critérios técnicos claros, transparência e possibilidade de fiscalização por candidatos, partidos, Ministério Público e pela própria Justiça Eleitoral.
Em um ambiente democrático, pesquisas eleitorais desempenham papel relevante na formação da opinião pública. Para cumprir essa função, porém, precisam transmitir credibilidade, respeitar rigorosamente a legislação e oferecer ao eleitor informações confiáveis, independentemente de quem apareça à frente no levantamento.




