O PSD resolveu fazer barulho em Palmas nesta quarta-feira (25), às 10h, no auditório da ATM aquele mesmo tipo de evento que promete “fortalecer o partido”, mas que, na prática, parece mais uma tentativa desesperada de provar que ainda existe vida política pulsando ali dentro.
Com direito a desfile de medalhões como Gilberto Kassab, Carlos Fávaro, André de Paula, Omar Aziz, Irajá e Antônio Brito, o encontro mais parece uma vitrine ambulante de cargos e títulos porque, convenhamos, nada dá mais credibilidade do que empilhar autoridade em palco, mesmo que na base da fotografia e do discurso ensaiado.
Sob o comando do vice-governador Laurez Moreira, o evento vem embalado com aquele velho roteiro: “mobilização”, “organização” e, claro, filiações estratégicas ou, traduzindo sem maquiagem, o clássico esforço para inflar nominata e dar a impressão de capilaridade política. Porque no fim das contas, quanto mais gente no papel, melhor o discurso… mesmo que na prática a consistência seja outra história.
E aí vem o detalhe que não cabe no release oficial: tinha mais militante batendo palma do que gente realmente interessada em se filiar. Ou seja, plateia garantida, entusiasmo ensaiado e aquele velho truque de volume para tentar esconder a falta de adesão real. Muito barulho, pouca conversão marketing político em estado puro.
E não poderia faltar o cardápio padrão de promessas: desenvolvimento regional, infraestrutura, saúde, educação… uma lista tão previsível quanto conveniente. O tipo de debate que sempre aparece em época de articulação, mas que curiosamente some quando chega a hora de entregar resultado.
Laurez, com seu tom institucional impecável, fala em “construção coletiva” e “futuro do Tocantins”. Bonito, quase poético. Só fica a dúvida se esse “futuro” é realmente para a população ou apenas mais um capítulo da velha engenharia política de bastidores onde o que se constrói mesmo são alianças, espaços e sobrevivência partidária.
No fim, o encontro reúne prefeitos, vereadores e lideranças regionais num grande teatro político: muita fala, muita pose, muita articulação… e aquela eterna expectativa de que, dessa vez, talvez só talvez saia algo além do discurso.