Nos bastidores da política, a fila anda, o favoritismo escancara e quem ficou de fora que lute para aparecer na foto
A política tem dessas belezas: começa com discursos de união, abraços fraternos em palanques sob o sol de rachar e termina com o bom e velho clube dos exclusivos. Nos corredores e gabinetes onde o ar rarefeito alimenta a soberba, a escolha para o Senado já tem dono, batismo e, claro, um trio inseparável para chamar de seu. A ilustre candidata Dorinha Seabra parece ter batido o martelo, assinado embaixo e emoldurado a preferência. Para ela, o mapa do Senado tem apenas dois nomes no GPS: Eduardo Gomes e Carlos Gaguim.
O resto da chapa? Ah, esses que lutem. Pelo visto, foram rebaixados à categoria de figurantes de luxo.
A memória curta, aliás, é um traço marcante dos nossos palanques. Vale lembrar que, há pouco mais de um ano, Dorinha desfilava um discurso de distanciamento cínico, garantindo aos quatro ventos que não nutria “paixão” pela candidatura de Carlos Gaguim — ou de qualquer outra, diga-se de passagem. O mantra da época era o culto exclusivo à sua própria candidatura. Pois bem, o tempo passou, as conveniências mudaram e o “não tenho paixão por imagem nenhuma” transmutou-se, milagrosamente, em uma convivência inseparável. O que aconteceu nesse intervalo de doze meses? O que transformou a distância protocolar em um “grude” constante nos corredores do poder?
Fontes internas que transitam pelos subterrâneos da campanha juram de pés juntos que o trio virou alma gêmea. É grude constante, voos compartilhados e aquela sintonia de quem não quer saber de dividir o palco com mais ninguém. Enquanto Dorinha desfila de braços dados com seus eleitos do coração, o restante dos candidatos da chapa assiste ao espetáculo de camarote — ou melhor, da calçada, vendo a caravana passar e se perguntando se também fazem parte do mesmo partido ou se foram adotados por engano.
Afinal, por que gastar sola de sapato e palmas com os demais aliados quando se tem um par de mosqueteiros oficiais para chamar de seus? A lógica é implacável: para que diversificar se a panelinha já está montada?
Mas calma, que a crônica dos bastidores não para por aí. Quem tem acesso às cozinhas da campanha sabe que o enredo é daqueles que exigem pipoca e um bom remédio para azia. Tem mais? Hum? Querem saber se tem mais?
Melhor segurar a língua antes que o estrago seja maior. Porque, quer saber? Se a gente começa a detalhar demais as rusgas, as caras feias nos bastidores e o desespero de quem foi escanteado, o rapaz lá na ponta abre o bico. E é exatamente por isso que as coisas desandam: excesso de luz onde o negócio sempre funcionou na penumbra.
Melhor deixar o texto falar por si. Ou será que o resto da chapa prefere fingir que está tudo bem, enquanto o trio inseparável continua dançando a valsa dos preferidos?