
É de uma beleza comovente a capacidade criativa que certas entidades sem fins lucrativos demonstram quando o assunto é fazer mágica com o orçamento. A próxima quarta-feira promete um espetáculo digno de inquérito com a divulgação da pesquisa de intenção de votos da Nexus (registro TO-09573/2026), que já nasce com cheiro de suspeição antes mesmo de abrir as urnas virtuais.
A façanha de desembolsar R$ 90 mil do próprio bolso para bancar o levantamento coube à Federação das Associações de Rádios Comunitárias do Estado. Trata-se da mesma entidade que congrega emissoras que, por definição legal (Lei nº 9.612/1998), sobrevivem sem fins lucrativos e com a proibição de comercializar anúncios publicitários. É a pura multiplicação dos pães: uma instituição alimentada por contribuições minguadas que consegue amealhar noventa mil pilas para investir em tendências de voto.
Para completar o enredo, a mesmíssima Federação benfeitora mantém um contrato de parceria firmado com a Unitins, intermediado pelo próprio governo do Estado. A mão que afaga o erário público através da universidade é a mesma que exibe folga orçamentária para patrocinar palpites eleitorais.
Enquanto a maioria das rádios comunitárias sofre para faturar por falta de documentação em dia, a cúpula da federação prefere gastar o latifúndio do “não lucro” em pesquisas polêmicas. Resta saber se a Justiça Eleitoral vai decidir tirar o pijama para examinar onde termina a radiodifusão comunitária e onde começa o festival de conexões com o poder público.



