O governador Wanderlei Barbosa, do Republicanos, descobriu, segundo o que circula nos bastidores, numa revelação digna de santo do barroco, que agora sente dores na consciência jurídica. Isso mesmo: depois de aprovar, sem nem piscar, o aumento do teto salarial aquele que fez a turma dos super-salários passar a ganhar igual a desembargador Wanderlei, de repente, dizem fontes internas, achou a Constituição no bolso de trás da calça.
Porque, claro, dar mais grana pra quem já engole o teto com sobremesa: pode. Zero problemas judiciais. Zero preocupação com “inconstitucionalidade”. Aí chega a vez dos professores contratados a maioria da categoria, os que realmente estão na sala de aula sem gratificação, sem isonomia, sem nada e aí o nobre governador Wanderlei Barbosa, veta. Alega problemas legais, sempre conforme relatos de servidores próximos ao poder. Ah, a justiça era cega, mas agora virou míope pra diferenciar pobre de rico? Ou será que o parecer jurídico tem preço e o preço é a eleição da candidata dele, a Dôrinha?
E não para por aí. A jogada de Wanderlei Barbosa, é velha, mas ele aposta, segundo quem acompanha os corredores, que o servidor nasceu ontem. Primeiro manda um pacote de bondades. Depois se arrepende diz que não pode, que o tribunal vai chiar, que o mundo vai cair. E aí, segundo fontes internas e bastidores, a conversa nos corredores do poder é sempre a mesma: a expectativa criada é de que, se o servidor votar na candidata apoiada por ele, o problema legal milagrosamentese resolve depois da eleição.
Fontes dizem, com todas as letras, que o recado que tem saído do entorno de Wanderlei Barbosa, , para os servidores é este, em off: “Primeiro votem na Dôrinha, depois ele autoriza os aumentos.” Ponto. Sem vergonha na cara. Como quem diz: sua fome espera, sua urgência espera, seu salário defasado espera o que não espera é a vontade do chefe de fazer caixa com o seu voto.
Segundo cientistas políticos, isso não é governar. Isso é chantagem emocional com servidor público comandada por Wanderlei Barbosa, segundo todos os relatos de bastidores. É usar o estômago do trabalhador como cabide de promessa. E sabe o que é pior? Funciona. Porque num estado miserável, onde o salário do professor contratado já é menor, onde o grosso da família vive dependendo do funcionalismo, esse tipo de teatrinho jurídico combinado com promessas de bastidor vota eleição.
E não para por aí: além de todos esses indicadores, fontes ligadas à Assembleia dizem que Wanderlei Barbosa, está jogando a responsabilidade do veto em cima dos deputados. A versão que circula nos corredores do Legislativo é que ele, nos bastidores, alega que se os deputados quisessem, poderiam derrubar o veto como se a caneta do veto não fosse exclusivamente dele. Ou seja, o governador veta, mas a culpa, segundo ele, é da Assembleia. Covardia política em dose dupla: veta por conveniência eleitoral e ainda tenta empurrar o ônus para quem votou a favor dos professores. Uma tentativa descarada de se livrar do desgaste enquanto amarra o servidor na expectativa da eleição da Dôrinha.
Então fica o resumo, pra quem ainda tem dúvida sobre a gestão de Wanderlei Barbosa:
– Servidor efetivo, grão-vizir, desembargador-mirim: ganha aumento no dia seguinte. Pode tudo.
– Professor contratado, o resto do povo que carrega o Estado nas costas: toma veto do Wanderlei, e escuta “problema legal” alegam fontes.
– Promessa que sai do entorno de Wanderlei Barbosa, e depois é abandonada: é só estratégia de marketing eleitoral com data de validade depois da urna, regada a informações de bastidores que nunca se confirmam.
– O recado final que circula nos bastidores: Votem primeiro, aumentos depois porque, pelo visto, serviço público virou moeda de troca, e dignidade virá depois da urna, se sobrar espaço na agenda.
– Segundo fontes ligadas à Assembleia: Wanderlei Barbosa, veta, mas já está espalhando nos bastidores que a culpa é dos deputados. A responsabilidade é sempre do outro. A caneta é dele, mas o problema, segundo ele, é de quem não derruba o veto. Manobra velha para se fingir de inocente enquanto amarra o servidor na promessa eleitoral.
No fim, o estado continua quebrado de gestão, mas rico em criatividade pra não pagar quem precisa. E o entorno de Wanderlei Barbosa, ainda quer que a gente engula seco, sorria e agradeça.
Para os analistas políticos, o recado está dado. Enquanto o servidor espera a judicialização passar e espera a boa vontade do chefe sempre adiada, segundo fontes , o super-salário já passou no caixa. E o voto em troca de promessa de bastidor é o único índice que esse governo de Wanderlei Barbosa, nas palavras de quem acompanha de perto, sabe fazer crescer.