
O ex-governador e pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, Sandoval Cardoso, tenta apagar um histórico jurídico marcado por canetadas milionárias, notas fiscais falsas e uma passagem pela prisão um passado que custou caro ao Tocantins e agora inflaciona o preço de seus apoios políticos.
A política é mestre em tentar apagar o próprio rastro. O ex-governador e pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, Sandoval Cardoso, parece apostar todas as suas fichas na amnésia coletiva do eleitorado para retornar aos holofotes. No entanto, basta um mergulho nos arquivos policiais e judiciais para entender que a sua recente condenação por irresponsabilidade fiscal é apenas a ponta do iceberg de um currículo marcado por escândalos.
Vamos ao histórico de fatos e processos que desenham a verdadeira biografia do ex-governador e explicam o pânico que domina sua atual pré-campanha a deputado federal:
1. O Rombo Fiscal de 2014: Benefícios Sem Fundo
A fatura mais recente cobrada pela Justiça condenou o ex-governador a um ano e oito meses de prisão (pena convertida em suspensão de direitos políticos e proibição de exercer cargos públicos) pela 3ª Vara Criminal de Palmas. Nos meses finais de seu mandato-tampão em 2014, Sandoval concedeu, via portarias, benefícios a mais de 6 mil servidores sem qualquer previsão orçamentária. O saldo? Um rombo de R$ 2,4 milhões mensais aos cofres estaduais. O juiz Rafael Gonçalves de Paula rejeitou sua desculpa de culpar subalternos, frisando que o ex-governador conhecia muito bem os “efeitos nocivos” de suas manobras.
2. Operação Ápia e a Passagem Pela Prisão (2016)
O capítulo mais drástico de sua trajetória ocorreu em 2016. O ex-governador Sandoval foi um dos principais alvos da Operação Ápia, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema monumental que fraudou R$ 1,2 bilhão em licitações e obras de rodovias no Tocantins. A gravidade dos indícios de cartel, superfaturamento e lavagem de dinheiro foi tamanha que o levou direto para a prisão, primeiro temporária e depois preventiva. Segundo o Ministério Público Federal, o mega esquema teria ajudado no financiamento ilegal de sua campanha ao governo em 2014.
3. Notas Frias e o Peculato na Assembleia Legislativa
O passado anterior ao Palácio Araguaia também não passou ileso. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu uma condenação contra Sandoval Cardoso pelo crime de peculato. A acusação detalha o uso de notas fiscais falsas (as “notas frias”) para simular serviços e se apropriar de R$ 223 mil da Assembleia Legislativa do Tocantins entre 2013 e 2014, época em que o político presidia a Casa.
4. O Dinheiro Não Declarado da JBS
O fantasma do pleito de 2014 ainda persegue o hoje pré-candidato a deputado federal na Justiça Federal, onde se tornou réu após ser denunciado por receber R$ 220 mil em um esquema envolvendo a JBS. O dinheiro, não declarado à Receita Federal e tratado por delatores da empresa como “propina”, teria sido repassado por meio de uma produtora para bancar os programas de rádio e TV de sua campanha.
Bastidores: O “Pedágio Político” e o Pânico no Comitê
Se a documentação judicial é implacável, as movimentações de bastidores da sua pré-campanha à Câmara Federal revelam um cenário de pura tensão e cifras altíssimas. Fontes com trânsito livre no núcleo político de Sandoval e nos corredores da Assembleia Legislativa confidenciam que o histórico do ex-governador transformou sua candidatura em uma “bomba-relógio” para os aliados.
Para tentar pavimentar seu caminho até Brasília, o pré-candidato tem esbarrado em um obstáculo intransponível: o medo de contaminação política.
“O passe para subir no palanque dele inflacionou de forma absurda”, revela um experiente articulador que acompanha as negociações no interior do Estado, sob condição de anonimato. “Prefeitos e vereadores sabem que apoiar um político com esse nível de rejeição popular e risco jurídico queima capital político. Ninguém quer arriscar o próprio mandato de graça para defender quem pode ser impedido de concorrer a qualquer momento. Então, a conta financeira e estrutural exigida para o apoio está caríssima.”



