Em entrevista nesta segunda-feira (13), o prefeito de Axixá resolveu fazer o que políticos em crise fazem de melhor: tentar reescrever a própria história enquanto ela ainda está sendo escrita e, convenhamos, mal contada.
Ao justificar sua permanência no cargo e o rompimento com o deputado estadual Jair Farias, o gestor apelou para o velho roteiro: bastidores nebulosos, “traições” convenientes e uma coleção de insinuações que, curiosamente, só vieram à tona depois que o desgaste já era público e irreversível. Transparência tardia ou narrativa ensaiada? Fica a dúvida.
Fontes internas ouvidas nos bastidores aquelas que realmente acompanham o jogo político longe dos microfones apontam que a versão apresentada está longe de ser unanimidade. Pelo contrário: há quem diga que o rompimento não foi fruto de traição alguma, mas sim de uma sequência de erros estratégicos, falta de articulação e uma condução política considerada, no mínimo, amadora.
E é aí que entra o ponto que o prefeito tenta evitar: Auri percebeu que não estava chegando a lugar nenhum. Sem força política consolidada, sem capacidade de articulação e acumulando desgastes, teria optado pelo caminho mais previsível criar uma narrativa de vítima. Uma saída clássica para quem já não consegue explicar os próprios fracassos.
Nos bastidores, o comentário é direto e sem filtro: faltou habilidade, sobrou improviso. E agora, diante do isolamento político, o discurso de “traição” surge quase como um pedido de socorro disfarçado.
No fim das contas, o episódio escancara mais do que um rompimento. Expõe a fragilidade de uma liderança que, ao invés de construir pontes, preferiu culpar os outros por não saber atravessar o próprio caminho.