
Mais de 700 empresas de comunicação do Tocantins entre rádios, TVs, jornais e portais denunciam atrasos nos pagamentos de campanhas institucionais do Governo do Estado desde o início de 2025. Muitas cumpriram contratos, emitiram notas fiscais, pagaram impostos e, até hoje, seguem sem receber da Secretaria de Comunicação (SECOM).
Mas o problema vai além do prejuízo financeiro. O governo está deixando de pagar campanhas essenciais de saúde, vacinação, educação, trânsito e utilidade pública. Ou seja: não é apenas a imprensa regional que sofre. A população também perde acesso à informação.
Pequenos veículos estão à beira da falência, funcionários enfrentam atrasos salariais e cidades inteiras correm o risco de ficar sem comunicação local eficiente justamente a que mais alcança comunidades vulneráveis através do rádio e da TV regional.
A denúncia feita pela jornalista Silene Borges, ao vivo na TV Quarto Poder, expôs um problema que já vinha sendo comentado nos bastidores da comunicação tocantinense.
Diante da gravidade do caso, o Ministério Público Estadual precisa investigar possíveis irregularidades nos pagamentos e eventual descumprimento da ordem cronológica prevista na legislação. Já o Ministério Público Federal deve apurar se campanhas financiadas com recursos federais, especialmente nas áreas da saúde e vacinação, estão sendo corretamente executadas.
As empresas de comunicação também precisam se unir, reunir contratos, notas fiscais e cobranças formais para cobrar providências de maneira coletiva.
Comunicação pública não é luxo. É serviço essencial. Quando campanhas de vacinação, saúde e educação deixam de circular, quem perde é a população.
O silêncio provocado pelo calote já ultrapassa o limite do aceitável.



