
Porto Nacional, uma das cidades mais tradicionais do Tocantins e o quarto maior colégio eleitoral do estado, ocupa posição importante na disputa pelo governo estadual. Na Câmara Municipal, formada por 15 parlamentares, a maioria declaraou apoio a Dorinha (União Brasil), candidata ao governo, enquanto um grupo menor permanece ao lado do deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), filho do município. Apesar da divisão política, um levantamento feito com vereadores de ambos os campos mostra que as prioridades locais se repetem: saúde, infraestrutura e presença do Estado dentro da cidade aparecem como as principais cobranças, sejam elas dirigidas à senadora, sejam dirigidas ao deputado.
Entre os onze vereadores ouvidos por esta reportagem, oito integram a base da senadora Dorinha: Nassa Silva (União Brasil), vice-presidente da Câmara, Suleima Cristina (Republicanos), Junior da Cesário (PSDB), João Justino (União), João Leite (MDB), Diva Cardoso (Republicanos), Emivaldo, conhecido como Miúdo (União Brasil), e Geyson (União). Os outros três — Marcone Cleiton (MDB), Duerita Neta (União Brasil) e Geovane dos Santos (PSDB) — estão ao lado do deputado federal Vicentinho Júnior.
Entre os que apoiam Dorinha, o currículo da senadora pesa como principal justificativa: passagens por secretaria estadual de educação, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado são citadas como sinônimo de experiência e preparo para o cargo. Soma-se a isso a expectativa de proximidade entre um eventual governo Dorinha e a prefeitura de Porto Nacional, hoje comandada por Ronivon Maciel, aliado da senadora. Também é mencionado o desempenho eleitoral do partido da candidata no município: em 2024, a União Brasil elegeu boa parte dos vereadores que hoje compõem a base governista na Câmara local. Por fim, entra na conta a destinação de recursos e emendas já direcionados à cidade, caso da construção do Colégio Magnólia, em Luizmangues, apontada como fruto de articulação parlamentar da senadora.
Já entre os vereadores que apoiam a oposição, o fator mais citado é a origem, Vicentinho Júnior é natural de Porto Nacional, o que é descrito pelos parlamentares como elemento de identificação com o eleitorado local. Some-se a isso as emendas parlamentares que o deputado já destinou ao município, apontadas como prova concreta de atuação em favor da cidade.
A saúde como prioridade unânime
A demanda mais recorrente entre os parlamentares ouvidos é a ampliação da estrutura de saúde. Suleima Cristina (Republicanos) e Diva Cardoso (Republicanos) defendem a construção de um hospital regional totalmente novo para o município, e não apenas uma reforma da unidade atual. “A necessidade que Porto tem não é ampliação, é um novo hospital regional para acolher essa comunidade que vem do Amor Perfeito, que são 13 cidades circunvizinhas de Porto. Nós precisamos disso”, resume Suleima Cristina.
João Leite (MDB) detalha que a unidade hoje recebe pacientes de 28 cidades da região: “Uma das questões que colocamos em carta para a senadora foi justamente a necessidade urgente de ampliação do Hospital Regional e de mais especialidades”, afirma o vereador.
Na mesma linha, João Justino (União), que representa o distrito de Luizmangues, chama atenção para a fila de cirurgias eletivas, apontada por ele como um dos maiores gargalos enfrentados pela comunidade. Já Geylson (União) defende o modelo de saúde regionalizada anunciado pela senadora, que segundo ele beneficiaria diretamente 19 cidades da microrregião.
Questionada sobre o tema, Dorinha afirma que o plano de governo prevê o fortalecimento da saúde regionalizada e a modernização permanente dos hospitais estaduais, com compromissos específicos para Porto Nacional: implantação do serviço de hemodiálise e construção de um Centro Especializado em Reabilitação (CER III), além da ampliação das cirurgias eletivas em todo o Estado. “Porto Nacional é referência e terá sim o seu hospital ampliado e melhorado”, diz a senadora. A campanha destaca ainda que o plano prevê uma Política Ambulatorial de Especialidades Médicas por Região de Saúde e a formação de consórcios intermunicipais, medidas apresentadas como resposta direta à demanda por uma saúde regionalizada para os municípios da Região do Amor Perfeito, levantada por Suleima Cristina e por Geyson.
Infraestrutura, bairros esquecidos e a duplicação da rodovia
Fora da área da saúde, a obra mais citada é a duplicação do trecho entre Porto Nacional e Palmas: “Não tem mais horário de pico. Antigamente era de manhã, ao meio-dia e no fim da tarde. Agora o fluxo é constante, a demanda está maior do que a oferta”, descreve Geylson (União), que cobra a efetivação da obra prevista no plano de governo da senadora.
Marcone Cleiton (MDB) chama atenção para as diferenças entre os 33 setores que compõem Porto Nacional e aponta que parte deles ainda enfrenta dificuldades. “Temos setores esquecidos dentro de Porto Nacional, inclusive eu venho de um, o setor Porto Imperial”, afirma o vereador, que também é candidato a deputado estadual.
Duerita Neta (União Brasil), vereadora mais votada do município, ao falar sobre as demandas de Porto Nacional, ela destaca a necessidade de atenção à zona rural e cita investimentos destinados ao distrito de Luzimangues, como a construção de duas creches, pontes e obras de pavimentação asfáltica.
Sobre a duplicação, Dorinha se declara favorável à obra, mas pondera que o trecho integra a BR-010, rodovia federal cuja execução depende da União. Como governadora, o compromisso seria manter a articulação com o Governo Federal, acompanhar a execução da obra e garantir a integração das intervenções estaduais de acesso e mobilidade, além de atualizar o Plano Estadual de Logística e definir corredores estratégicos de investimento em pavimentação e conservação de rodovias.
Já em relação aos bairros periféricos citados por Marcone Cleiton, o plano de governo prevê apoio direto do Estado aos municípios para pavimentação, drenagem, saneamento, acessibilidade e regularização fundiária. “A proposta é construir uma parceria permanente com a Prefeitura para levar infraestrutura às regiões que mais precisam”, afirma, citando bairros em expansão.
Estruturas públicas que hoje pesam no orçamento do município
Um pedido mais específico vem de Nassa Silva (União Brasil), vice-presidente da Câmara, que lista uma série de órgãos estaduais atualmente mantidos com recursos do próprio município — entre eles a sede da Polícia Civil, cujo aluguel é pago pela prefeitura, além de uma unidade de saúde mista que funciona nos moldes de uma UPA. A vereadora defende a instalação de um Batalhão da Polícia Militar e de uma unidade da Defensoria Pública em Porto Nacional. “Chega um momento em que o município pesa, porque tem outras demandas e a todo momento precisa de recurso para suprir as necessidades do povo”, diz.
Sobre o batalhão, Dorinha esclarece que Porto Nacional já conta com o 5º Batalhão da Polícia Militar instalado no município, e que a demanda deve ser entendida como pedido de construção de uma sede própria para a unidade, hoje mantida em imóvel alugado pelo poder público municipal. “O nosso governo vai viabilizar a construção da sede própria do batalhão, dentro da nossa política de segurança, que une tecnologia e aumento da força policial”, afirma a senadora. Já quanto à Defensoria Pública, a campanha pondera que o município já possui um Núcleo Regional da instituição, além de uma subsede recém-inaugurada em Luizmangues, e que o plano de governo prevê cooperação permanente entre Estado, municípios, Defensoria Pública, Ministério Público e Poder Judiciário para ampliar o acesso à Justiça na região.
Já Emivaldo, conhecido como Miúdo (União Brasil), defende que o principal ganho para o município seria o alinhamento político entre a prefeitura e o próximo governo estadual: “Quando você tem esse alinhamento político em comum, com certeza a cidade vai ganhar muito mais”, avalia.
Segurança pública
A segurança pública aparece como parta das demandas citadas por Geovane dos Santos (PSDB), que atua na área e defende que o efetivo da Polícia Militar está defasado frente ao crescimento da criminalidade no estado e cobra do próximo governo firmeza no comando dos órgãos de segurança.
Em resposta ao debate sobre efetivo e estrutura da corporação, Dorinha afirma que o plano de governo prevê concurso anual para a Polícia Militar, aparelhamento e modernização das unidades, reforço da inteligência e ampliação de estruturas de acordo com as demandas de cada região do Estado.
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