
O lançamento da pedra fundamental do Hospital Universitário da Universidade Federal do Tocantins (UFT), realizado nesta quinta-feira, 2, em Palmas, marcou o início simbólico de uma obra considerada estratégica para a saúde pública, a formação de profissionais e o fortalecimento da pesquisa no estado. Com previsão de 250 leitos para atendimentos de média e alta complexidade, funcionamento integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e uma ala voltada à população indígena, a unidade deverá atender pacientes de diversas regiões do Tocantins.
A implantação do hospital é resultado de uma articulação que se estende há mais de uma década e envolveu a UFT, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o Governo Federal, a bancada federal do Tocantins e gestores estaduais e municipais. Durante a cerimônia, representantes dessas instituições destacaram o esforço conjunto para viabilizar o empreendimento e garantir os recursos necessários para sua execução.
A reitora da UFT, Maria Santana Milhomem, classificou o projeto como uma das principais iniciativas da atual gestão da universidade e ressaltou o trabalho realizado em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação.
“É um impacto gigantesco. Nós estamos iniciando todo um processo na nossa gestão, minha e do professor Marcelo, e temos feito um trabalho muito grande com os parceiros, também com os ministérios da Saúde e da Educação. Está tudo caminhando e vai dar certo, com certeza”, afirmou.
Segundo a reitora, a unidade terá papel importante na ampliação da assistência especializada e na redução da pressão sobre a rede hospitalar do estado.
“É um projeto voltado para a comunidade do Tocantins e também para a UFT e toda a região Norte. É um projeto extremamente importante porque vai ajudar a desafogar os hospitais do Tocantins”, disse.
Questionamentos da CGU
O avanço do projeto ocorre após a Controladoria-Geral da União (CGU) apontar inconsistências no processo licitatório do hospital. Em auditoria divulgada no fim de junho, o órgão identificou falhas na avaliação das propostas técnicas das empresas participantes e alertou para o risco de paralisação da obra devido à insuficiência de recursos previstos para sua continuidade.
Após os apontamentos, a UFT anulou a etapa de julgamento das propostas técnicas e reabriu a análise da documentação apresentada pelas empresas concorrentes.
Questionada sobre o tema, a reitora afirmou que a universidade vem adotando as medidas necessárias para atender às exigências dos órgãos de controle.
“São questionamentos necessários. A CGU é um órgão de controle e nós estamos fazendo todo o trabalho que precisa ser feito. Esse trabalho está sendo conduzido dentro daquilo que a universidade sabe fazer”, declarou.
O deputado federal Ricardo Ayres também abordou o assunto e afirmou que os esclarecimentos apresentados pela universidade permitem que o projeto avance para uma nova etapa.
“Os questionamentos que a CGU vem fazendo têm encontrado respostas por parte da Universidade Federal. Nós já qualificamos essa obra como uma obra continuada com recursos da bancada federal”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a classificação do empreendimento como obra continuada permitirá a destinação de recursos nos próximos anos e dará maior segurança para a execução do projeto.
Bancada federal e busca por novos recursos
A participação da bancada federal foi destacada por diferentes autoridades presentes no evento. Ricardo Ayres informou que cerca de R$ 30 milhões foram destinados ao projeto neste ano e lembrou que também destinou recursos anteriormente para a elaboração dos projetos técnicos.
“A bancada federal destinou algo em torno de R$ 30 milhões neste ano. No ano passado, eu também já havia destinado parte dos meus recursos para a elaboração dos projetos, porque sem projeto não tem como avançar”, disse.
O deputado acrescentou que a próxima etapa será garantir novas fontes de financiamento para a continuidade da obra.
“Com a garantia da obra como uma obra continuada, vamos poder colocar recursos no ano que vem e buscar a inclusão desse projeto no PAC, que poderá contar com recursos do Orçamento Geral da União, sem depender exclusivamente de emendas parlamentares”, afirmou.
A senadora Professora Dorinha destacou que acompanha a implantação do hospital há mais de uma década e classificou a cerimônia como a concretização de um trabalho construído ao longo dos anos.
“Hoje é um dia histórico para o Tocantins. Essa é uma luta de mais de uma década, construída com muito diálogo, trabalho e persistência”, afirmou.
Segundo a parlamentar, além da destinação de recursos por meio da bancada federal, houve articulação junto ao Governo Federal, à UFT, à Ebserh e aos ministérios envolvidos para viabilizar o empreendimento.
“Foram anos destinando recursos, buscando apoio e articulando para que esse hospital deixasse de ser um sonho e se transformasse em realidade”, declarou.
A senadora também defendeu a inclusão do hospital no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Nossa luta agora é que o Hospital Universitário vá para o PAC”, disse.
Participação da Prefeitura e articulação institucional
Presente na cerimônia, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, afirmou que a administração municipal optou por apoiar a condução do projeto pela UFT e pela Ebserh para garantir que a iniciativa avançasse.
“Não fazia sentido eu brigar e ficar com um terreno de um assunto que não andou e queria andar via UFT, via Ebserh e via bancada”, afirmou. Segundo o prefeito, a futura unidade poderá contribuir para reduzir a pressão sobre os serviços de alta complexidade da capital.
“Esse é o nascimento de uma das grandes soluções que Palmas precisa para avançar na pauta da saúde”, declarou.
Eduardo também ressaltou que o fortalecimento da atenção básica e das unidades de pronto atendimento precisa ser acompanhado pela ampliação da estrutura hospitalar disponível para procedimentos especializados.
Projeto construído “a várias mãos”
O deputado federal Ventinho Júnior afirmou que o hospital é resultado da participação conjunta da universidade, dos governos estadual e municipal, da bancada federal e do Governo Federal.
“É um projeto viabilizado a várias mãos, encabeçado pela UFT. Tivemos a doação da área pelo Estado do Tocantins, pelo município da capital e os primeiros investimentos para a sua construção vieram da bancada federal do estado”, afirmou.
Segundo ele, os 11 integrantes da bancada federal assumiram o compromisso de contribuir para a construção da unidade, enquanto caberá ao Governo Federal garantir os recursos necessários para o custeio da estrutura após sua conclusão.
Para o parlamentar, a mobilização em torno do projeto superou diferenças políticas e teve como foco as necessidades do estado.
“A solidariedade sem bandeiras político-partidárias imperou muito. A necessidade do Tocantins falou mais alto e nos uniu para que hoje fosse possível lançar a pedra fundamental desse hospital”, declarou.
Ao avaliar os resultados da articulação, Ventinho afirmou que o legado do projeto pertence a todos os envolvidos.
“É um legado de todos os envolvidos. Sem a área não teria a obra, sem os recursos não teria a obra, sem a concepção do projeto pela UFT não teria a obra e sem o custeio do governo federal também não haveria a prestação do serviço”, disse.
Além de ampliar a assistência à população, o Hospital Universitário da UFT deverá funcionar como hospital-escola, servindo de campo de formação para estudantes, residentes e profissionais da área da saúde. A expectativa é que a unidade fortaleça a pesquisa científica, a inovação tecnológica e as atividades de extensão universitária, além de ampliar a oferta de atendimentos especializados e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para outros estados em busca de procedimentos de maior complexidade.
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