
Enquanto o Palácio dos Ipês prefere o silêncio confortável dos gabinetes com ar-condicionado potente, a realidade nas contas da Prefeitura de Palmas tem um gosto amargo. Sob a desastrosa e já caótica administração do prefeito Eduardo Siqueira Campos, a capital do Tocantins virou palco de um verdadeiro enredo de comédia pastelão administrativa, onde o drama principal é protagonizado por faturas astronômicas não pagas.
De acordo com bastidores quentíssimos vazados direto dos corredores da Secretaria Municipal da Educação, o clima entre os servidores é de pânico generalizado. Fontes internas garantem que a ordem no alto escalão é empurrar com a barriga as pendências financeiras.
A conta chegou (mas o pagamento, não)
O buraco é mais embaixo e custa caro. A empresa JMC Serviços e Terceirizações Ltda., responsável por serviços de alimentação e nutrição escolar da rede municipal, notificou a Secretaria Municipal da Educação sobre uma dívida que, segundo a contratada, chegava a R$ 14,28 milhões em 14 de agosto.
Em ofício obtido pela reportagem, a empresa afirma que o atraso compromete seu capital de giro e pode colocar em risco a continuidade do fornecimento de refeições aos estudantes. O documento é uma “notificação de mora e última reiteração na via administrativa” relacionada ao Contrato Administrativo nº 01/2026, decorrente do Pregão Eletrônico nº 035/2025. A JMC concedeu prazo até 18 de agosto para o pagamento integral do valor ou, ao menos, de R$ 6,43 milhões referentes às faturas mais antigas.
Segundo a empresa, dez documentos fiscais permaneciam em aberto na data do ofício. O mais antigo, emitido em 21 de maio, tinha valor líquido de R$ 2,31 milhões e acumulava 84 dias de atraso. A JMC afirma que o saldo devedor havia aumentado R$ 2,09 milhões em pouco mais de um mês: de R$ 12,18 milhões, apontados em cobrança anterior de 6 de julho, para R$ 14,28 milhões.
“Eles querem que a gente faça milagre sem ver a cor de um centavo. O prefeito acha que gestor público administra município igual a rede social, só na base da pose e da retórica”, dispara, sob rigoroso anonimato, um servidor graduado da pasta que não aguenta mais ver o navio afundar.



