
Bastidores da Gestão: Vindo direto dos corredores do Paço Municipal, o recado é claro: a prioridade zero agora é varrer qualquer camelô ou vendedor ambulante para bem longe dos olhos da elite empresarial local.
A prefeitura de Araguaína decidiu que o maior “perigo” que a cidade enfrenta atualmente não é a falta de ordem urbana básica, mas sim o pipoqueiro na calçada e o pequeno vendedor de bugigangas. Sob o pretexto de “organizar o espaço público” e sob forte pressão da Associação Comercial e Industrial de Araguaína (Aciara), a gestão municipal prepara um verdadeiro arrocho no Código de Posturas para sufocar quem tenta ganhar a vida na informalidade.
O prefeito Wagner Rodrigues, ao que tudo indica, aprendeu direitinho a lição com o seu grande mestre e padrinho político, o ex-prefeito Ronaldo Dimas: quando o assunto é atrapalhar e sufocar o mercado informal da cidade, a cartilha do mestre é applied com louvor e rigor cirúrgico.
Prioridades Invertidas e Vista Grossa do Demupe
Enquanto a fiscalização se armaria até os dentes contra o pai de família vendendo água de coco, os problemas crônicos que tiram o sossego da população continuam acontecendo à vista de todos — e com o benefício do silêncio oficial.
De acordo com relatos de fontes internas e denúncias de moradores, há uma revolta crescente sobre a postura seletiva do órgão fiscalizador do município:
“O Demupe simplesmente venda os olhos para o que realmente incomoda o cidadão. Nos Centros de Convivência dos bairros, por exemplo, os eventos até possuem alvará, mas a fiscalização faz total vista grossa para o descumprimento das regras. São festas de forró e eventos regados a bebida alcoólica que se estendem até meia-noite em plenos domingos, infernizando o descanso da comunidade. Os moradores ligam exaustivamente para denunciar o barulho e o desmando, mas não são atendidos. Isso sem falar na região da Feirinha, tomada pelo uso e venda escancarada de drogas, prostituição e exploração sexual de menores à vista de qualquer um. Mas nada disso parece prioridade: o foco do Demupe é perseguir o trabalhador que só tem a venda de calçada para levar o sustento para casa.” — revelou uma fonte que acompanha de perto a rotina dos bairros e da fiscalização.
A Falsa Cruzada pela “Concorrência Leal”
Na última terça-feira (21), os burocratas da prefeitura sentaram para tomar café com os grandes nomes do empresariado local. O motivo do choro? A alegação de que a “concorrência é desleal” porque pessoas de fora — e trabalhadores sem CNPJ de grife — ousam vender produtos em áreas públicas nos períodos de maior movimento econômico.
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A versão oficial: A prefeitura afirma querer “isonomia” e regras claras para o uso do solo.
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A realidade dos bastidores: O texto do novo Código de Posturas está sendo desenhado sob encomenda para atender aos interesses da Aciara, transformando fiscais em leões contra a subsistência do pequeno comerciante, enquanto viram gatinhos para o barulho excessivo e a criminalidade nas áreas vulneráveis.



