
O velho voto de cabresto parece ter ganhado uma versão moderna no Tocantins. Agora, em vez de apenas pressionar pessoas para participar de eventos políticos, a tecnologia teria entrado em cena para controlar quem chega, quem fica e até quem vai embora.
Nos bastidores da campanha, segundo fontes internas, os candidatos a deputado estadual Carlos Amasta e Marcos Duarte estariam adotando mecanismos de controle de presença em reuniões e eventos políticos.
A lógica seria simples: não basta colocar gente dentro do evento. É preciso saber quem compareceu e garantir que permaneça até o final.
QR Code para entrar e aplicativo para registrar presença
Segundo os relatos, o esquema funcionaria por meio de QR Code e aplicativo.
Ao chegar ao evento, a pessoa precisaria procurar um responsável para fazer a leitura de um QR Code exclusivo. No caso da campanha de Carlos Amastha, haveria ainda a necessidade de entrar em um aplicativo próprio para registrar a presença.
Na prática, o que deveria ser uma participação espontânea em uma reunião política passa a se parecer com um controle de ponto.
E a história não terminaria na entrada.
Segundo as informações de bastidores, a saída também dependeria de uma validação no sistema. Ou seja, seria necessário registrar a chegada e depois confirmar a saída.
Do voto de cabresto ao controle digital
A tecnologia, que poderia ser usada para aproximar candidatos e eleitores, acaba levantando uma pergunta incômoda quando utilizada dessa maneira: estamos diante de uma simples organização de eventos ou de uma forma de controlar politicamente quem participa?
Se a presença em um evento político estiver ligada à pressão sobre servidores, comissionados ou pessoas que dependem de algum tipo de favor político, o problema deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser político.
O que chama atenção é justamente essa mistura entre política, pressão e controle digital.
O velho curral eleitoral, conhecido pela pressão e pelo controle dos eleitores, agora poderia ganhar uma versão moderna: QR Code, aplicativo, check-in e check-out.
Resta saber como o Tribunal Regional Eleitoral vai analisar esse tipo de prática e, principalmente, se o eleitor vai aceitar que sua participação em eventos políticos seja tratada como obrigação ou como uma espécie de ponto eletrônico eleitoral.




