
A política tocantinense atingiu um patamar de cinismo que faria qualquer autor de sátira pedir demissão por falta de imaginação. Enquanto o estado enfrenta problemas em hospitais, estradas e segurança, Ronaldo Dimas, candidato do Podemos ao Senado, parece ter encontrado a solução definitiva: ressuscitar o velho pão e circo.
A grande aposta de sua campanha, pelo que se apresenta, não seria uma revolução na infraestrutura, um projeto para a saúde pública ou uma proposta transformadora para Tocantins. A fórmula seria bem mais simples: palanque, caixa de som e atrações musicais para embalar pedidos de voto ao som de forró e sertanejo.
E aqui está a parte mais curiosa e conveniente dessa história: quando foi secretário na gestão de Laurez Moreira, Ronaldo Dimas esteve entre os críticos do uso de emendas para bancar festas e shows. Agora, a estratégia parece ganhar uma nova embalagem eleitoral. O que antes era alvo de crítica política, hoje surge, ironicamente, como ferramenta de campanha.
É de uma audácia comovente. Por que discutir propostas complexas quando se pode apostar diretamente no instinto festivo do eleitor? Afinal, quem precisa de políticas públicas eficientes quando há uma dupla sertaneja animando a praça?
A estratégia parece saída de um manual de política do passado: em vez de discutir o futuro do Tocantins, aposta-se no espetáculo para garantir público, aplausos e a sensação de popularidade. O eleitor deixa de ser tratado como cidadão e passa a ser plateia.
Seria engraçado se não fosse preocupante. Resta saber se o eleitor tocantinense vai aceitar novamente o papel de espectador nesse picadeiro eleitoral ou se mostrará que já cansou do velho modelo de pão, circo e promessa.
Porque, para chegar ao Senado, talvez seja necessário mais do que som alto, show e confete: é preciso apresentar projeto, proposta e, acima de tudo, coerência.



