
O escândalo do áudio vazado do presidente do Detran, Hercy Filho, ganha um tempero ainda mais sórdido com a revelação do dialeto palaciano. A palavra “CATUÁ”, repetida no registro que expõe o suposto esquema de privilégios, nada mais seria do que o codinome ou uma referência direta ao governador Wanderlei Barbosa.
É a verdadeira tradução da linguagem dos gabinetes: enquanto o cidadão comum rala nas filas intermináveis do SUS, sem saber a quem recorrer, a alta cúpula opera com codinomes dignos de conspiração para furar a ordem de prioridades médicas. O “CATUÁ” autoriza, o subordinado executa, e o privilégio VIP passa à frente da fila dos reles mortais.
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E vale repetir a dose de ironia ácida: com a suposta bênção direta do “CATUÁ”, a pessoa agraciada com uma cirurgia de urgência relâmpago nem precisou passar pelo vexame de se acorrentar na porta de hospitais públicos. Afinal, por que apelar para o desespero se você tem linha direta com o chefe do Executivo para furar qualquer barreira burocrática e ética?



