
O senador Eduardo Gomes veste a carapuça de “direita autêntica” bem na hora em que os holofotes da campanha se acendem, esquecendo convenientemente os anos dourados em que navegava nas águas mornas do Centrão com a desenvoltura de quem não tem compromisso com bandeiras, mas sim com a própria conveniência.
Quando o assunto era segurar a mão do eleitorado bolsonarista no Tocantins nas últimas eleições, a energia do nosso ilustre senador parecia estar sempre em “modo economia de bateria”. Enquanto a militância saía às ruas com poeira na sola da bota e bandeira no retrovisor, o esforço de Gomes para defender o passe da direita parecia mais um favor burocrático do que convicção. O resultado dessa apatia calculada? Votos minguando, o palanque esvaziado de entusiasmo e o conservadorismo local pagando a conta do seu pragmatismo de gabinete. É o famoso “direita no discurso, mas prudência no palanque” afinal, brigar pelo chefe da nação dava muito trabalho, melhor mesmo era garantir a boquinha de bastidor.
Mas o mal do soberbo é achar que a cadeira já tem dono antes mesmo da urna fechar. Hoje, instalado confortavelmente no modo “já ganhou”, o senador já caminha com ares de quem está com a posse garantida na ponta do lápis. O problema é que, pelo visto, o gabinete virou uma fortaleza intransponível: prefeitos, vereadores e bases históricas de todo o estado relatam que Gomes simplesmente parou de atender ligações, sumiu dos e-mails e deu as costas para os velhos aliados. Quando alguém o ousa procurar em busca de apoio, a resposta é sempre a mesma dose de arrogância: nega qualquer tipo de estrutura sob a desculpa cínica de que “ajudar na eleição é obrigação” dos aliados, afinal, segundo ele próprio, já fez demais por esta gente.
E se na hora de tratar os parceiros de longa data o tratamento é de favor prestado, na hora de atacar os aliados de dentro ele vira um verdadeiro estrategista militar. O alvo preferido da vez atende pelo nome de Eli Borges.
Por que o desespero com o Eli? Simples: peso político real. Enquanto Eduardo vive do eco de promessas requentadas e de um trono imaginário, Eli Borges ostenta um legado político consolidado, trânsito limpo com as bases e um exército de apoiadores fiéis espalhados por cada canto deste estado. Para quem construiu a carreira apostando na conveniência e no salto alto, ver surgir um nome de direita autêntica, forte e capilarizada como a de Eli é o equivalente a acender um holofote na sala escura.
O modus operandi é cirúrgico: nos bastidores, tenta-se diminuir o homem ao máximo, cortar verbas invisíveis, podar palanques e espalhar rasteiras de salão. Sabem que, se deixarem Eli crescer à luz do dia, o castelo de cartas do senador de araque desmorona. No fim das contas, a maior ameaça aos planos de Eduardo Gomes não é a oposição é a própria sombra de um conservador de verdade que tem voto, moral e, acima de tudo, coerência.
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