
A confirmação do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos acendeu um alerta para os impactos da medida na economia nacional e nas unidades da federação. As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho e podem afetar mais de 4.100 mercadorias brasileiras, o equivalente a R$ 14,9 bilhões em exportações, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Embora produtos como café, carne bovina, laranja, suco de laranja, itens do setor de energia e componentes aeroespaciais tenham ficado de fora da sobretaxa, a decisão amplia as incertezas para empresas exportadoras e para estados com baixa diversificação econômica.
No Tocantins, o economista Higor Franco avalia que a principal vulnerabilidade está na falta de investimentos em industrialização, o que reduz a capacidade do Estado de enfrentar mudanças no comércio internacional.
Na verdade o Brasil não tem muito o que fazer, o Tocantins então nem se fala, porque não investe em processos de industrialização.

Segundo ele, existem mecanismos capazes de reduzir os impactos econômicos, mas dependem de políticas públicas permanentes. Entre as medidas citadas estão a continuidade das políticas econômicas, harmonização da carga tributária, investimentos no setor industrial, incentivos fiscais para empresas geradoras de emprego e renda, equilíbrio das contas públicas, captação de recursos externos para investimentos, maior controle da aplicação dos recursos públicos e estímulo ao avanço tecnológico e à qualificação da mão de obra.
Falta iniciativa para que as coisas não sejam feitas da forma ‘sempre foi feito assim’ e buscar inovar em todos os aspectos, principalmente no avanço tecnológico e na mão de obra qualificada.
Na avaliação do economista, a adoção dessas medidas também esbarra no calendário político.
Depende das políticas públicas e este ano estão voltadas para o processo eleitoral. Por isso, pouco provável de se ter êxito, e sim só promessas de campanha de forma geral, tanto por parte dos estados quanto pela União.
Entenda o tarifaço
A nova rodada de tarifas foi confirmada pelo governo do presidente Donald Trump após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O governo americano sustenta que o Brasil adota práticas consideradas desleais ao comércio internacional.
Entre os principais argumentos apresentados pelos Estados Unidos estão críticas ao funcionamento do Pix, à política de combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual, às tarifas aplicadas ao etanol americano, aos acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia e ao combate ao desmatamento ilegal.
Segundo autoridades americanas, o governo brasileiro apresentou propostas consideradas genéricas durante as negociações e não assumiu compromissos específicos para atender às reivindicações dos EUA. Apesar da confirmação das tarifas, Washington afirma que as negociações continuam e que a medida poderá ser revista caso haja avanços.
Resposta do Brasil
O governo brasileiro informou que pretende retomar as negociações diplomáticas e estuda aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às novas tarifas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que também não está descartada a edição de uma medida provisória para proteger empresas brasileiras afetadas pela decisão.
A expectativa do Palácio do Planalto é buscar uma solução negociada, embora parte das tratativas possa ficar para depois das eleições de outubro.
Para Higor Franco, independentemente do desfecho das negociações, o episódio evidencia um desafio antigo do Tocantins: ampliar a industrialização e agregar valor à produção local para reduzir a dependência de fatores externos e tornar a economia estadual mais resiliente diante de crises no comércio internacional.
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