
Hoje senadora Dorinha Seabra (UB), mas já foi professora, secretária da Educação por dez anos nos governos de Siqueira Campos e Marcelo Miranda, e deputada federal por dois mandatos. Currículo extenso de uma mulher que sempre foi buscada para respaldar o projeto político de um grupo, e que agora teve seu nome escolhido para ser a peça principal – a que disputará o governo do Tocantins, e que já se destaca em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais.
Nesta entrevista ao Jornal Opção Tocantins, que aconteceu em seu gabinete no Senado Federal, Dorinha fala sobre a possibilidade de se tornar a primeira mulher a gerir o Estado do Tocantins, o qual ela afirma estar com os alicerces estruturados para avançar mais em setores estratégicos para promover maior geração de empregos e consequente melhoria na qualidade de vida do tocantinense. A senadora também não se esquiva a dar respostas para assuntos como a escolha de seu vice; relação com Assembleia Legislativa; segurança para não ser a próxima governadora a ser afastada do mandato; e sobre adversários, como o pré-candidato Vicentinho Júnior (PSDB), que antes era seu aliado.
Senadora, desde 2006 Tocantins sofre com as consequências de governadores afastados; o que gera prejuízo econômico, instabilidade para investidores e uma série de prejuízos para o cidadão. Como a sra. pode garantir ao tocantinense que caso eleita governadora, a história não irá se repetir?
O que eu posso assegurar é, primeiro, vou procurar fazer uma gestão com muito cuidado, com muita transparência. Temos também que fazer mudanças estruturais, com modelos de gestão diferenciados e mantendo o diálogo com todas as instituições. Além disso, o meu histórico, como uma das secretárias mais longevas do Brasil por ter passado pelos governos de Siqueira e Marcelo Miranda, comprova o meu preparo e seriedade com o poder público. Fora o avanço na nossa legislação e no regramento para melhor controle e monitoramento das ações do poder executivo.
Quando secretária, fui a primeira, por minha iniciativa, a buscar junto com a Fundação Getúlio Vargas, criar a primeira ouvidoria do Estado. Ninguém falava sobre isso, e eu criei o controle interno. Então, sendo bem objetiva para sua pergunta, meu histórico em cargos públicos como secretária da Educação, e minha determinação em realizar projetos de melhoria para o avanço do nosso Estado em conjunto com instituições responsáveis pelo controle fiscal é a garantia de que teremos um governo transparente e que será concluído sem nenhuma intercorrência nos próximos quatro anos.

Eu sou acessível, nunca fui inacessível, até porque quem é inacessível não teria quase 400 mil votos para o Senado. Todas as eleições que eu disputei, eu ganhei. Eu gosto de jogar baralho, não tenho problema nenhum de brincar, gosto de cozinhar, essa pessoa é o meu jeito. Agora ninguém está me convidando para comer um churrasco, eu estou me candidatando à gestão do meu Estado. Me apresento com condição técnica, preparo e capacidade de ouvir, porque não existe modelo pronto e acabado. Eu sou a pessoa que ensina como professora, mas também aprende muito. Nenhum bom professor só ensina. Ele aprende, ele troca com os colegas, ele troca com os alunos, com a família. E é esse o meu perfil.
Ainda seguindo o mesmo raciocínio, como a sra. pretende lidar com as pressões dos deputados estaduais para que suas demandas sejam atendidas sem prejudicar o desempenho do executivo?
As demandas dos deputados são legítimas. Eles são representantes da população. Acredito que com um bom planejamento, uma definição clara de prioridades com caráter técnico, pode ajudar nesse relacionamento. Todos os deputados irão chegar com suas demandas, uma ponte ou uma estrada, é legítimo pedir. Assim como para o Estado fazer, é preciso estudar se tem condição financeira, e se aquela prioridade é necessária. Se, na ordem de um planejamento macro, é o que deve ser feito. Ser importante não significa ser possível. Às vezes é importante, é prioritário, mas você tem passos a serem cumpridos. Toda demanda projetada sempre para o bem do Estado é legítima. Com esse pensamento sempre teremos Assembleia Legislativa, a bancada federal e os municípios unidos em benefícios para o tocantinense.
O atual presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, hoje pré-candidato a vice-governador na chapa de Vicentinho Júnior, era cotado como o nome do governador Wanderlei Barbosa para disputar o governo. No entanto, o governador definiu apoiar o seu projeto. Como a sra. avalia essa escolha? E como avalia a posição de Amélio agora com adversário de Wanderlei depois de não ter sido o escolhido pelo governador?
Primeiro, eu sempre fui do grupo do Wanderlei. Fui eleita senadora com o governador. Mas tinha, sim, um movimento grande na Assembleia defendendo que os nomes dos últimos governadores seguissem saindo da Assembleia, porque segundo eles os políticos que estão em Brasília ficam distantes do Estado.
Só que esse argumento é muito vazio. Eu tive uma votação histórica para o Senado, 400 mil votos, e moro no Tocantins; eu não moro em Brasília. Meu apartamento aqui é funcional, porque minha moradia fica em Palmas, Tocantins. Além disso, mesmo tendo que vir a Brasília, nunca deixei de rodar meu Estado. Nenhum escritório de representação parlamentar atende mais gente do que eu atendo fora de período eleitoral.
E o governador informou que sua escolha seria por quem melhor estivesse posicionado em pesquisa dentro do seu grupo. Wanderlei, inclusive, falou isso na cidade de Buriti do Tocantins, cuja prefeita é uma cunhada do Amélio. E não é novidade que em todas as pesquisas meu nome sempre apontava com uma diferença muito grande à frente do presidente Amélio. Também sempre contei com um número grande de prefeitos que me apoiavam.
O governador ofereceu a Amélio a vaga de vice-governador ou até uma das vagas ao Senado. E por minha parte, não teria nenhum obstáculo ter Amélio em nossa chapa. Ele é um deputado estadual com vários mandatos e uma liderança com um histórico respeitado. Porém, nos últimos meses, a relação entre os dois começou a se desgastar. Obviamente, a escolha de vice ou uma composição ao Senado não é uma escolha minha. E da minha parte não havia restrição alguma. Agora, talvez tenha tido da parte do próprio Amélio em não aceitar ser o vice de uma mulher, já que aceitou ser vice na chapa de Vicentinho. Não sei se tem uma questão machista nesta decisão dele. Mas, enfim, são escolhas políticas, e isso é normal.
O governador ofereceu a Amélio a vaga de vice-governador ou até uma das vagas ao Senado. E por minha parte, não teria nenhum obstáculo. Ele é um deputado estadual com vários mandatos e uma liderança com histórico respeitado. Talvez tenha tido da parte do próprio Amélio em não aceitar ser o vice de uma mulher, já que aceitou ser vice na chapa de Vicentinho. Não sei se tem uma questão machista nesta decisão dele. Mas, enfim, são escolhas políticas, e isso é normal.
O pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior compunha a base de apoio de Eduardo Siqueira, e sempre soube que os nomes do prefeito para compor a chapa de governo seria a sra. para governo e ele para uma das vagas ao Senado. Porém, depois que o nome dele não foi aprovado pela federação União Brasil-PP, que escolheu o nome de Gaguim, Vicentinho deixa o PP e se lança candidato ao governo pelo PSDB. Como a sra. avalia a posição de Vicentinho hoje como seu adversário, se há poucos meses aceitava apoiá-la estando ele como candidato ao Senado?
Vicentinho foi quem me aproximou do prefeito Eduardo Siqueira. Só que ele entendia que, como retorno, eu conseguiria impor o nome dele com candidato ao Senado. Ele entendia que, como a federação teria meu nome representando o União Brasil como candidata ao governo, uma das vagas ao Senado deveria ser do PP e esse nome seria o dele. O problema é que o critério combinado nacionalmente não era esse. O combinado nacionalmente foi que o peso político de cada partido em cada estado daria o comando da federação. E no caso do Tocantins ficou comigo, e assim definimos que a outra vaga para o Senado seria definida por pesquisa. Sempre defendi que era legítimo tanto Gaguim quanto Vicentinho serem pré-candidatos ao Senado, mas que o critério final de escolha seriam as pesquisas.
Vicentinho também se incomodou quando declarei apoio ao senador Eduardo Gomes (PL), que além de ser filiado a um importante partido, temos uma longa parceria política, e já contava com o apoio do governador Wanderlei. Então, acho que houve esse descontentamento. E Vicentinho, que era pré-candidato ao Senado há mais de um ano, de repente amanheceu dizendo que era candidato ao governo.
Sempre defendi que era legítimo tanto Gaguim quanto Vicentinho serem pré-candidatos ao Senado, mas que o critério final de escolha seriam as pesquisas. Vicentinho também se incomodou quando declarei apoio ao senador Eduardo Gomes (PL) que além de ser filiado a um importante partido, temos uma longa parceria política, e já contava com o apoio do governador Wanderlei. Então, acho que houve esse descontentamento. E Vicentinho, que era pré-candidato ao Senado há mais de ano, de repente amanheceu dizendo que era candidato a governo

Então pode-se dizer que Vicentinho Júnior e Amélio se uniram na disputa pelo governo do Tocantins porque não conseguiram compor a chapa de Dorinha?
Pode-se dizer não, é o que aconteceu.
A chapa da sra. conta com cinco pré-candidatos ao Senado. Acredita que todos irão mesmo disputar as duas vagas?
Essa decisão passa primeiro pelo candidato, pelos seus partidos e depois é que iremos sentar à mesa e discutir o melhor formato para a chapa majoritária. Hoje estão todos no exercício de uma pré-campanha. Pelo que tenho ouvido de todos é que seguirão firmes com suas candidaturas.
A sra. acredita que a não consolidação de algumas dessas pré-candidaturas possa vir a prejudicar a sua ao governo? Ou seja, a sra. poderia perder o apoio de alguns deles?
Eu não posso dizer qual vai ser a reação. Eu sei que são partidos que já estão definidos, firmados com o nosso projeto.
A sra. defende a chapa majoritária formada por dois candidatos ao Senado ou quantos quiserem disputar?
O critério que for estabelecido, democraticamente, pelos partidos, eu vou respeitar. Se são duas, se são três, se são quatro, se não coliga com ninguém. É lógico que no caso do Gaguim, como é do meu partido, já está naturalmente na majoritária. O mesmo vale para a vaga do senador Eduardo Gomes. E o formato da chapa que iremos discutir já é um exercício democrático.
Um dos principais apoios a sua candidatura é do governador Wanderlei Barbosa. Será dele a escolha do candidato a vice-governador na sua chapa?
A decisão do meu vice é de todo o nosso grupo. O governador é uma figura extremamente importante. Um governador que fez a escolha pelo Tocantins, porque seria um candidato ao Senado com grandes chances eleitorais, mas preferiu seguir no mandato e assim firmar seu compromisso pelo Estado. Rompendo inclusive o que falamos anteriormente sobre nenhum governador concluir mandatos no Tocantins desde 2006. Wanderlei, nesse exercício democrático e com grande responsabilidade, decidiu ficar. Então, com certeza, é uma grande liderança que será ouvida.
Eu tenho uma base municipalista fortíssima, com mais de 100 prefeitos que me apoiam. Nas maiores cidades, todos os prefeitos me apoiam. Há também os partidos que devem ser ouvidos. O vice é alguém que vai acrescentar na chapa. Primeiro, tem que ser uma boa escolha. Até porque o histórico de vice em nosso Estado tem sido muito doloroso, complicado de relacionamento. Tem que ser alguém que reúna relação de confiança, de preparo, porque o vice não é enfeite, ele pode assumir a qualquer momento. E pode e deve estar na gestão junto, então é uma pessoa que tem a condição de estar junto. E ao mesmo tempo precisa ter peso regional, uma pessoa que seja conhecida, que tenha uma boa aceitação popular e critério de pesquisa.
O governador também tem nomes que ele pensa, assim como o senador Eduardo Gomes e o prefeito Eduardo Siqueira Campos. Estou citando presidentes de partido, né? Todos esses cenários serão testados pelos diferentes partidos para a gente sentar à mesa e ver quem é que ajuda a compor e representar bem o nosso Estado, que acrescenta para a chapa.
Mas o martelo final a ser batido irá ser o da sra.?
Eu pretendo fechar no conjunto, mas precisamos sim, ter responsabilidade com essa escolha. Eu não quero amanhecer todo dia pensando no que meu vice irá aprontar. Eu sei que não é essa a intenção de ninguém, mas é importante pensar em todas as variantes. O principal peso será a representação política.

O prefeito Eduardo Siqueira é também outra importante liderança que apoia seu projeto ao governo. Investigações da área da saúde, que levaram inclusive à prisão da então secretária Dhieine Caminski, podem prejudicar o apoio à sra. na região metropolitana?
Primeiro, eu acredito que o prefeito irá esclarecer tudo. A minha expectativa é que ele se organize, como tem feito. Hoje a cidade está um canteiro de obras, como também muitas entregas na área social. A secretária e primeira-dama Polyanna está fazendo um grande trabalho que eu mesma acompanho. Agora, lógico que o tocantinense irá saber separar uma coisa: é a Dorinha com a caneta, e a outra é o jeito de pensar do Wanderlei, do Eduardo, e dos demais prefeitos. Cada um faz suas escolhas e responde com o seu CPF. Agora, a minha expectativa é que tudo seja esclarecido para o bem de Palmas e pela gestão. Eduardo é um prefeito altamente preparado que já foi deputado federal, senador, e possui uma grande visão administrativa.
Comparada às demais candidaturas, a sua é que tem o apoio de relevantes lideranças do Estado, além do maior número de prefeitos e partidos. Cenário parecido com a candidatura da deputada estadual Janad quando disputou a prefeitura de Palmas e terminou derrotada. O que se deve evitar para que o resultado final não se repita?
Primeiro, o histórico e o trabalho que já conquistei, e não estou desfazendo a Janad. Mas é um tempo de maturação política. A Janad foi vereadora, fez um grande trabalho na Câmara e foi eleita deputada estadual. E depois de dois anos foi candidata a prefeitura de Palmas, muito articulada com uma grande base. Enquanto o meu histórico é um pouco diferente. Eu tive três mandatos de deputada federal, então foram 12 anos com um contato e trabalho realizado em todos os nossos municípios. Hoje estou no meu quarto ano de Senado, cujo mandato fui eleita com quase 400 mil votos. E é lógico que nenhuma campanha se ganha só com declaração de apoio. Me honra muito eu ter a declaração de apoio da maioria dos deputados estaduais; da bancada federal também com uma grande presença, e da maioria dos prefeitos e prefeitas, além de inúmeros vereadores e vereadoras.
Agora, eleição é um projeto de propostas e de relacionamento com o eleitor. O eleitor tem que sentir segurança. Não é um jogo de líderes, os líderes são importantes, mas o voto vem do povo. Gosto de brincar que até o voto da minha família eu preciso conquistar. O voto tem que ser pedido, e mostrar porque eu acredito ser a melhor opção para o Tocantins. Pelo meu preparo, pelas minhas condições, pelo tempo de mandato e pela minha vasta experiência. Eu fui do Executivo por quase 10 anos. Eu fui secretária da maior pasta, que é a Educação, com o maior orçamento. Isso faz toda diferença.
A minha expectativa é que não irá faltar trabalho para que o eleitor possa sugerir, pedir, criticar, e assim poder votar consciente no melhor nome para colocar o Tocantins onde ele merece. Eu reconheço todos os avanços que governadores anteriores promoveram para o nosso Estado. Agora, sabemos que quando lidamos com gestão pública, entendemos que nenhuma casa começa pelo telhado; a casa começa pelos alicerces e ela vai construindo paredes sólidas. O que for sólido, que for bom, vai continuar. O que for preciso aprimorar, nós vamos aprimorar, para que essa casa, Tocantins, possa ter novas paredes, um novo piso, um novo andar. E assim se tornar cada vez mais perto do que merecemos.
E é isso que irei fazer todos os dias da campanha: mostrar para o tocantinense, para a tocantinense, que eu não acordei, de repente, achando que eu possa ser candidata a governadora, não. Hoje possuo uma experiência política e de gestão que me credenciam a colocar o meu nome na disputa pelo governo do nosso Estado e assim promover mais um novo salto de qualidade de vida com projetos arrojados para a nossa população.
Meu histórico em cargos públicos como secretária da Educação, e minha determinação em realizar projetos de melhoria para o avanço do nosso Estado em conjunto com instituições responsáveis de controle fiscal é a garantia de que teremos um governo transparente e que será concluído sem nenhuma intercorrência nos próximos quatro anos.

Dizem que seu governo será a extensão do governo Wanderlei. Como a sra. avalia essa crítica?
Eu tenho o apoio, mas cada um tem a sua caneta, o seu modo de gerir o Estado. Wanderlei tem o jeito Wanderlei de ser. Ele tem um perfil que é aceito e muito bem aprovado pelo tocantinense. E muitas das prioridades por ele estabelecidas e realizadas irão me permitir dar um passo além. O meu perfil é técnico e também de ouvir e buscar parcerias. Wanderlei, certamente, vai estar presente. Mas lógico que cada um irá responder pelo seu exercício.
Eu gosto sempre de dizer que cada um é responsável pela sua caneta. A tinta de uma caneta do executivo é diferente do legislativo. O CPF é meu, então eu vou ter que responder. Agora, todo mundo vai ser ouvido e considerado.
Eu tenho o apoio, mas cada um tem a sua caneta, o seu modo de gerir o Estado. Wanderlei tem o jeito Wanderlei de ser. Ele tem um perfil que é aceito e muito bem aprovado pelo tocantinense. E muitas das prioridades por ele estabelecidas e realizadas irão me permitir dar um passo além. Eu gosto sempre de dizer que cada um é responsável pela sua caneta. A tinta de uma caneta do executivo é diferente do legislativo. O CPF é meu, então eu vou ter que responder pelos meus atos à frente do executivo. Agora, todo mundo vai ser ouvido e considerado.
O que esperar do governo do Tocantins sob os olhos de uma mulher, caso seja eleita governadora?
Eu tenho um histórico político, eu tenho uma preocupação muito grande com o setor de planejamento, com a área financeira. O Tocantins está no coração do Brasil, temos um potencial na área logística enorme. O governador Wanderlei já tinha essa preocupação, tanto que investiu e avançou muito na construção e qualificação de rodovias para integrar as cidades. Ainda temos no Tocantins cidades onde, para o morador chegar, ainda precisa andar em estradas de chão. Com esses avanços, agora podemos seguir para um novo patamar.
E quanto ao jeito da mulher gerir é diferente. Ao tomar a decisão, ela é menos impulsiva porque pensa nas consequências de todo um conjunto. Fazemos isso porque somos menos impulsivas e pensamos no conjunto. Fomos preparadas pelo cuidado com nossas famílias. E me honra muito poder ser a primeira mulher governadora do nosso Estado, e representar mais de 50 por cento da população do Tocantins. Mas não utilizo o fato de ser mulher para chamar atenção ao meu projeto de gerir nosso Estado. Meu principal argumento é estar preparada com condições técnicas, administrativas e políticas para ser a primeira mulher a governar com apoio de homens e mulheres. E as pesquisas mostram que eu tenho uma boa votação, até maior que a dos homens.
A decisão do meu vice é de todo o nosso grupo. O governador é uma figura extremamente importante. Um governador que fez a escolha pelo Tocantins porque seria um candidato ao Senado com grandes chances eleitorais, mas preferiu seguir no mandato e assim firmar seu compromisso pelo Estado. Wanderlei, nesse exercício democrático e com grande responsabilidade, decidiu ficar. Então, com certeza, é uma grande liderança que será ouvida.
Tocantins é um dos estados com maiores índices de violência contra a mulher. A sra. já pensa em projetos de governo para diminuir essa estatística?
Os números da violência no Tocantins são, de fato, muito altos. Eu sou líder da bancada da mulher no Senado e depois de muitos trabalhos realizados, projetos de leis apresentados e programas sociais aplicados, posso dizer com toda certeza que uma das soluções para esse grave problema social que ainda vivemos é a promoção da independência financeira da mulher, além da ampliação de programas como Minha Casa Minha Vida ou em outros programas de casas populares que os municípios estão dando as posses das casas para as mulheres; e, sobretudo, respaldo jurídico a essas mulheres.
Muitas mulheres ainda relatam que depois de tomarem coragem de denunciar seus parceiros na Lei Maria da Penha, ainda assim não contaram com a proteção do Estado brasileiro. Nós temos várias leis que foram aprovadas e foram iniciativas de homens. Até porque num Congresso de 513 deputados, que tem hoje 90 e poucas deputadas, se a gente não tiver ajuda de homens, nós não iremos avançar. Enfim, precisamos avançar na legislação, na ocupação de espaço, na proteção da mulher, e essa deve ser uma bandeira assumida por homens e mulheres. Temos que trabalhar em conjunto para combater a violência contra crianças, contra vulneráveis e contra mulheres. Para isso, o Estado brasileiro tem a obrigação de ter a sua mão para garantir esse equilíbrio.
A maior fonte de renda do Tocantins é o agronegócio e o setor público. Como a sra. pretende fomentar a economia do Estado em outros setores?
O Tocantins se destaca na área do agro com os grandes produtores, mas já temos muitas ações acontecendo com o pequeno produtor. Quando temos um setor organizado se consegue fortalecer pequenas cadeias produtivas no entorno do agro. Estive recentemente no Ministério da Integração e iremos implantar várias cadeias produtivas do mel, da mandioca, hortifrutigranjeiros. Fortalecer as linhas de crédito para os pequenos produtores que geram cadeias diferentes de produção da grande fazenda do agro. Isso também irá tirar o peso da capacidade do poder público em gerar emprego.

Precisamos fortalecer a segurança jurídica para que os investidores tenham tranquilidade de investir em nosso Estado. Inclusive, eu sou relatora de um projeto, junto com o senador Eduardo Gomes e com apoio do governo do Estado para devolver as terras do Tocantins que estão com a União. Por que isso é importante? Com a terra devolvida, teremos condição de trazer empreendimentos que já quiseram vir para o Tocantins, mas quando chegam no Bico do Papagaio, perceberam que várias demandas judiciais podem gerar problemas futuros.
Também precisamos de policiais em quantidade suficiente para garantir a segurança para quem está no campo. O governo vem investindo muito no fortalecimento dos distritos industriais. Palmas mesmo com a cidade do automóvel, e o distrito industrial. O governo agora acabou de aprovar mais R$ 10 milhões para Araguaína, que é uma região exemplo, onde poder público promove a geração de empregos com a instalação de grandes empresas e gerando assim trabalho.
Nós precisamos ter condição de competitividade com os outros estados, nós estamos no coração do Brasil. Fazemos divisa com vários estados que têm políticas de incentivo fiscal maior e que acabam levando investidores que poderiam estar no nosso Estado. Já foi aquela época em que o geográfico nos isolava. Hoje, vários tipos de negócio que podem ir para o Tocantins, que não faz diferença, desde que tenha segurança jurídica, que tenha incentivo, que a gente se preocupe com a logística de novo dos aeroportos, dos portos, das rodovias, das ferrovias. Formação e qualificação do nosso povo.
Na área da mineração, que é um potencial enorme que o Tocantins tem na mineração. Precisamos de mais cursos na área da mineração tanto para exploração como para retirada dos minérios. A atividade está se perdendo por falta de conhecimento e preparo do nosso povo. Hoje nós temos grandes oportunidades de geração de desenvolvimento econômico.
Hoje as demandas da saúde no interior do Estado ficam concentradas em três municípios: Araguaína, Palmas e Gurupi. Como resolver a demanda da saúde para que toda população do Estado seja de fato assistida?
A saúde, quando a gente pensa em sistema e pensa no SUS tem um bom desenho por atender os municípios com atenção básica; enquanto a média e alta complexidade com responsabilidade do Estado e parcerias pontuais com a União, como é o caso do Hospital Universitário – que eu sou uma das incentivadoras e financiadoras. O próprio Hospital de Amor que também está sendo instalado. Além da busca de parceiros que queiram vir para nosso Estado como Einstein e a Rede D’Or.
Para tudo isso funcionar de maneira coordenada é preciso pensar em modelos de gestão que possibilitem um sistema articulado. Esse modelo já está sendo desenhado pelo governador, exemplo é o Hospital de Araguaína que deve ser entregue ainda nesta gestão ou irá ficar para o início do próximo ano. Um hospital de grande dimensão que irá permitir desafogar o Hospital Geral de Palmas. O Hospital de Gurupi que estava parado e o governador também já liberou a ordem de serviço.
Mas, independente disso, ainda temos a região sudeste com os hospitais regionais que precisam ser fortalecidos. Quando uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) funciona bem, ela desafoga muitos dos atendimentos que são encaminhados para o HGP. Resumindo, acredito que se tiver um bom planejamento, um combinado para que todos os agentes de fiscalização, do Ministério Público, dos conselhos – o SUS tem o conselho bipartite, tripartite, os municipais – validando o melhor modelo, acredito que temos como organizar a saúde, porque nunca se colocou tanto recurso para a saúde e ainda assim a sociedade segue desassistida. Essa reorganização é o ponto inicial a ser trabalhado. E junto concluir, expandir e modernizar o HGP, do Hospital de Araguaína, do Hospital de Gurupi. Verificar se os hospitais regionais estão bem posicionados ou se precisam ser realocados. Fazer convênio de gestão com os hospitais regionais.
Nenhuma campanha se ganha só com declaração de apoio. Me honra muito eu ter a declaração de apoio da maioria dos deputados estaduais; da bancada federal também com uma grande presença, e da maioria dos prefeitos e prefeitas, além de inúmeros vereadores e vereadoras. Agora, eleição é um projeto de propostas e de relacionamento com o eleitor. O eleitor tem que sentir segurança. Não é um jogo de líderes, os líderes são importantes, mas o voto vem do povo.

Depois de anos no Congresso, qual é o principal problema do Tocantins, que na sua avaliação ainda não foi enfrentado de forma correta pelos governos estaduais? O que a sra. faria de diferente?
Em todos os setores há pontos que faria diferente, mas não desrespeitando o que já foi feito. O modelo de gestão no âmbito da educação e educação profissional, por exemplo, promovendo maior participação do mercado na formação da mão de obra. Também não temos que inventar a roda na área da mineração. É importante ouvir as empresas que irão demandar essa mão de obra.
Pretendo trabalhar com o financiamento de novos empreendedores. Como eu disse a casa Tocantins já tem alicerce feito, tem paredes feitas que às vezes eu vou precisar mudar de lugar, mas que já me permitem dar um passo além.
Eu sempre falo sobre o tempo de maturação política para se ter condições de ocupar um cargo público. A gestão requer maturidade. Não é lugar de aventura, de emblemas ou de likes. Qualquer ação inadvertida implica em mortes, em falta de educação, em pessoas que serão desassistidas no setor da saúde, da segurança. Então é uma escolha que requer muita atenção.
A polarização da política no país está forçando nos estados a pauta sobre quem é o candidato dono do bolsonarismo e quem representa o lulismo. Qual é a sua posição?
A minha posição é no mesmo lugar. Primeiro, eu preciso entender a posição nacional da federação União Brasil-PP. Temos defendido que cada candidato fique à vontade em seu Estado. Wanderlei mostrou isso muito bem. Ele ficou na posição mais de centro-direita. Meu partido é de centro, e eu sou do Tocantins. Irei sempre dialogar com todos em benefício do meu Estado.
Obviamente que tenho setores mais ligados a centro-esquerda, devido a minha forte ação na área da educação. Temos uma aproximação inconfundível com o agro. Tanto que temos o senador Eduardo Gomes do PL ao nosso lado. Mas, essa discussão é muito superficial. A gestão é um local de maturidade e não de aventura. Eu sempre falo sobre o tempo de maturação para se ter condições de ocupar um cargo público. A gestão requer maturidade. Não é lugar de aventura, de emblemas ou de likes. Qualquer ação inadvertida implica em mortes, em falta de educação, em pessoas que serão desassistidas no setor da saúde, da segurança. Então é uma escolha que requer muita atenção.
A sra. teme que sua seriedade com a prática política possa ser entendida como falta de carisma e isso afastá-la do eleitor?
De fato, eu não vou virar personagem. Eu sou acessível. Nunca fui inacessível, até porque quem é inacessível não teria quase 400 mil votos para o Senado. Todas as eleições que eu disputei, eu ganhei. Como uma pessoa fria e inacessível poderia ocupar o cargo de secretária de Educação durante dez anos? Seria impossível.
A minha área de atuação, a educação, lida com pessoas, com professores, alunos em sala de aula. Virei secretária, deputada por três mandatos e senadora. Agora, de fato, eu não sou do tapinha nas costas. Eu tenho responsabilidade com os meus compromissos políticos. O que não quer dizer que eu também não possa melhorar, mas sem precisar me tornar um personagem para ganhar a eleição. Eu não sou aquela que vai contar piadinha, não adianta, eu sou péssima para contar piada. Eu gosto de jogar baralho, não tenho problema nenhum de brincar, gosto de cozinhar, essa pessoa é o meu jeito. Agora ninguém está me convidando para comer um churrasco, eu estou me candidatando ao governo do Tocantins. E me apresento por ter condição técnica, preparo e capacidade de ouvir, porque não tem modelo pronto e acabado. Eu sou a pessoa que ensina como professora, mas também aprende muito. Nenhum bom professor só ensina. Ele aprende, ele troca com os colegas, ele troca com os alunos, com a família. E é esse o meu perfil.
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