
A política de Araguaína acaba de entregar mais um daqueles capítulos que comprovam que, quando o assunto é poder, a coerência costuma ser a primeira vítima.
Nesta semana, o prefeito Wagner Rodrigues (União Brasil) se reuniu com vereadores da base aliada para demonstrar apoio à candidatura de Max Fleury (MDB) à reeleição para a presidência da Câmara Municipal. O encontro foi marcado por discursos de unidade, alinhamento político e compromisso com a estabilidade do Legislativo.
O detalhe que chama atenção é que, segundo fontes internas, nem sempre Max era tratado com tanta admiração dentro do grupo político liderado por Wagner. Em outros momentos, o presidente da Câmara teria sido alvo de críticas reservadas e apontado como um político oportunista, alguém que se posicionava conforme os interesses e as conveniências do momento.
Mas, pelo visto, o tempo ou melhor, a necessidade política tem o poder de curar antigas divergências.
Agora, o que antes era visto como oportunismo parece ter sido reclassificado como habilidade política. O que gerava desconfiança virou motivo para apoio público. E o que era alvo de críticas passou a ser tratado como peça fundamental para os planos do grupo governista dentro do Legislativo.
Fontes que acompanham as articulações afirmam que a mobilização em torno de Max não acontece por acaso. A disputa pelo comando da Câmara é vista como estratégica para os projetos políticos que se aproximam, especialmente com o olhar voltado para 2026 e, mais adiante, para a sucessão municipal de 2028.
A mudança de postura levanta uma pergunta inevitável nos corredores da política local: Max Fleury deixou de ser oportunista ou apenas passou a ser conveniente?
Enquanto a resposta não vem, a imagem do encontro entre Wagner e os vereadores fica como símbolo de uma das maiores especialidades da política brasileira: transformar antigos defeitos em grandes virtudes quando os interesses passam a caminhar na mesma direção.
No fim, permanece a velha lição que a política insiste em ensinar: não existem desafetos definitivos, apenas conveniências temporárias. E quando a matemática do poder fecha a conta, até quem ontem era visto com desconfiança acaba recebendo um caloroso abraço e, politicamente falando, um generoso beijo na testa.




