
Nos bastidores do Hospital Regional de Araguaína, o cenário já não é mais de crise é de caos escancarado. E não adianta pintar parede ou soltar nota oficial: o que se vê nos corredores não se esconde com tinta nem com discurso.
Superlotação virou regra. Pacientes amontoados em macas improvisadas disputam espaço com acompanhantes exaustos. Corredores lotados, enfermarias sufocadas e uma estrutura que parece ter parado no tempo ou pior, regredido. Em alguns setores, relatos apontam esgoto estourado, com odor invadindo leitos. Sim, leitos hospitalares. Onde deveria haver dignidade, sobra mau cheiro.
E não para por aí.
Fontes internas descrevem um cenário ainda mais grave: falta de insumos básicos. Do simples ao essencial. Luvas, medicamentos, materiais hospitalares tudo contado, tudo racionado. A alimentação? Outro capítulo à parte. Pacientes que necessitam de dieta especial estariam passando até três dias sem receber alimentação adequada. Três dias. Dentro de um hospital público.
Enquanto isso, nos bastidores políticos, o clima é de tensão e retaliação. Servidores relatam demissões em massa e não por desempenho, mas por alinhamento político. O “pecado”? Ter ligação com deputados que ousam contrariar o governo. A saúde, que já deveria ser prioridade, vira moeda de troca num jogo de poder pequeno e perigoso.

E o governador ? Segue no roteiro previsível: promessa, anúncio, discurso… e pouca entrega. As obras do HGA avançam no ritmo que já virou marca registrada passo de tartaruga com freio de mão puxado. Enquanto isso, quem precisa do hospital não pode esperar cronograma político.
Nos corredores, o comentário é direto, sem maquiagem:
“Aqui não falta só estrutura. Falta gestão, prioridade e, principalmente, vergonha.”



