A animação no Palácio Araguaia com a recomendação de um procurador de Justiça não reflete exatamente o que se comenta nos bastidores. Para quem acompanha de perto, a leitura é simples: isso não resolve a situação.
Recomendação do Ministério Público não tem efeito prático imediato. Se houver desdobramento, o caso vai parar no Tribunal de Justiça. É lá que a decisão acontece não em procedimento administrativo.
Enquanto isso, o problema real segue sem solução.
O governo não tem, hoje, segurança de votos para manter o veto.
E o mais curioso é que o próprio cenário foi construído dentro de casa.
As mudanças vetadas agora foram aprovadas anteriormente com apoio da base governista. Passaram por comissões, foram votadas em plenário e tiveram participação direta de aliados próximos. Tudo acompanhado por representantes do próprio governo.
Agora, depois de aprovado, o Executivo tenta voltar atrás.
Um movimento tardio e politicamente frágil.
O prazo está correndo: até 2 de maio, os deputados precisam decidir se mantêm ou derrubam o veto. E, nos bastidores, a conta não fecha para o governo.
Se o veto for pautado sem articulação, a tendência é clara: cai.
O que chama atenção é a estratégia. Em vez de buscar apoio dentro da Assembleia, o governo parece mais focado em se apoiar em recomendações que não garantem resultado em plenário.
No fim, a situação resume bem o momento:
falta voto, mas sobra ilusão.