Quando falta currículo limpo, sobra estratégia: muda-se o CEP e tenta-se reescrever a própria história. É mais ou menos isso que se vê na movimentação de Alfredo Júnior, que troca o cenário do Maranhão pelo Tocantins como quem acredita que memória política tem prazo de validade curto ou eleitor distraído.
Nos bastidores, o que se comenta não é exatamente entusiasmo, mas cautela. Gente que conhece o histórico fala em “rebranding político de risco”, aquele clássico movimento de empurrar para debaixo do tapete episódios que, convenientemente, não cabem no material de campanha. E não estamos falando de detalhe irrelevante, mas de um passado que já frequentou páginas policiais, investigações e relatórios nada elogiosos.
A coincidência (ou não) fica ainda mais incômoda quando o sobrenome pesa. Enquanto Alfredo Júnior tenta se vender como novidade, o irmão, Eduardo José Barros Costa o famoso “Imperador” carrega um currículo que dispensa adjetivos: operações policiais, suspeitas de agiotagem, fraudes milionárias e até dinheiro vivo apreendido. Um pacote completo que, nos bastidores políticos, ninguém ignora só evita falar alto.
E aí surge a pergunta que ecoa nos corredores: dá pra separar completamente as histórias? Ou estamos diante de mais um capítulo do velho roteiro onde o passado é tratado como mero detalhe inconveniente?
Fontes internas apontam que há desconforto, inclusive, entre aliados. A avaliação é simples e direta: em um momento em que o eleitor cobra transparência, apostar em nomes cercados de controvérsia pode ser menos estratégia e mais aposta de alto risco. Daquelas que, se der errado, não afunda só o candidato arrasta o partido junto.
No fim das contas, a tentativa de reposicionamento pode até funcionar na superfície. Mas política não é só marketing é memória, contexto e, principalmente, credibilidade. E isso não se muda com mudança de estado, discurso ensaiado ou foto bem produzida.
Porque, diferente do que alguns parecem acreditar, o passado não precisa pedir licença pra entrar no debate. Ele simplesmente entra. E senta na primeira fila.