
Nos bastidores de Araguaína, o que antes era desconforto virou rompimento declarado. O prefeito Wagner Rodrigues (UB) e o grupo do deputado federal Alexandre Guimarães (MDB) já não fazem mais questão de disfarçar: a disputa agora é aberta e no modo “vale tudo”.
Fontes ouvidas sob reserva são categóricas: o estopim veio quando Alexandre decidiu subir o jogo e mirar o Senado, ignorando acordos antigos que sustentavam a aliança. Do outro lado, Wagner não apenas reagiu passou a agir. Nos bastidores, articula para esvaziar o grupo rival, atingindo diretamente aliados que ainda ocupam espaços estratégicos dentro da própria gestão.
E há um ponto sensível nesse tabuleiro: o vice-prefeito Israel Guimarães, irmão de Alexandre. Nos corredores, a leitura é simples e preocupante: qualquer movimento mais brusco pode atingir em cheio a estrutura da prefeitura e não de forma discreta.
Na Câmara Municipal, o reflexo é imediato. A disputa pela presidência deixou de ser institucional e virou teste de força. Vereadores admitem, longe dos microfones, que a eleição da Mesa Diretora hoje mede quem manda e quem perdeu espaço.
O atual presidente, Max Baroli (MDB), já sente o peso desse racha. Antes tratado como nome de consenso, agora circula nos bastidores como problema político a ser resolvido.
Enquanto isso, Wagner se move com pragmatismo: trabalha nos bastidores para emplacar um nome fiel ao Executivo. Baroli, nesse novo cenário, deixou de ser prioridade e pode virar peça descartável.
Outro capítulo expõe ainda mais o rompimento: o reposicionamento estadual do prefeito. Wagner já sinaliza alinhamento com Eduardo Gomes (PL) e Irajá Abreu (PSD), enterrando qualquer expectativa de apoio à reeleição de Alexandre. Na prática, o acordo político foi abandonado sem cerimônia.
E como toda crise que escala rápido demais, surge a velha estratégia: ganhar tempo. Nos bastidores, cresce a articulação para adiar a eleição da Mesa Diretora para depois de outubro. Oficialmente, silêncio. Extraoficialmente, ninguém nega.
Aliados do prefeito já falam abertamente em “reorganização de espaços”. Tradução: cortes iminentes em nomes ligados ao grupo dos Guimarães. Não é mais especulação é questão de tempo.
No fim, o roteiro é conhecido: discursos públicos de normalidade enquanto os bastidores entram em combustão. A diferença é que agora o conflito vazou e quando isso acontece, raramente há retorno.
E enquanto a população assiste, a política local segue no seu velho hábito: disputar poder… fingindo que é pelo bem da cidade.



